Tino

Sobre o projeto

Escrever bem também é saber mudar de registro.

O Tino é uma ferramenta de calibração sociolinguística para brasileiros que escrevem em inglês e precisam adequar sua voz ao contexto — sem apagar sua história linguística.

O problema

Grande parte das ferramentas de escrita reduz a diferença entre conversa, trabalho e academia a uma lista de “erros”. Essa lógica confunde correção gramatical com adequação social e trata a língua de partida como ruído.

A proposta

O Tino identifica intrusões conversacionais e hipóteses de transferência do português brasileiro para o inglês, explica a função que essas formas têm no L1 e mostra por que elas podem não funcionar no registro escolhido.

Fundamentação

Na perspectiva de registro, uma variedade linguística é associada a uma situação de uso e às funções que seus traços realizam nessa situação (BIBER; CONRAD, 2009). Por isso, o mesmo recurso pode ser expressivo numa conversa e inadequado num relatório: o critério é a relação entre linguagem, audiência, propósito e contexto.

Essa escolha é também uma escolha de audiência. O modelo de design da audiência entende a variação estilística como resposta às pessoas e instituições para quem falamos (BELL, 1984). O Tino transforma essa intuição em uma devolutiva prática: “que voz este contexto está pedindo?”

Em aprendizes de segunda língua, padrões da L1 não são simplesmente falhas aleatórias; podem refletir influência interlinguística, estratégias comunicativas e hipóteses em desenvolvimento (ODLIN, 1989). Estudos com brasileiros aprendizes de inglês mostram, inclusive, que a transferência é complexa e precisa ser analisada com rigor, não presumida a partir de um único desvio (VILELA, 2016).

O Tino foi pensado para estudantes, pesquisadores, profissionais e candidatos a oportunidades internacionais que já dominam o português — e querem ampliar seu repertório em inglês sem serem ensinados a “soar menos brasileiros”.

Referências

  1. BELL, Allan. Language style as audience design. Language in Society, Cambridge, v. 13, n. 2, p. 145–204, 1984. DOI: 10.1017/S004740450001037X.
  2. BIBER, Douglas; CONRAD, Susan. Register, genre, and style. Cambridge: Cambridge University Press, 2009. DOI: 10.1017/CBO9780511814358.
  3. ODLIN, Terence. Language transfer: cross-linguistic influence in language learning. Cambridge: Cambridge University Press, 1989.
  4. VILELA, Ana Carolina. I cut my hair e I did my nails: evidência de transferência linguística na interlíngua de falantes brasileiros aprendizes de inglês como segunda língua? Trabalhos em Linguística Aplicada, Campinas, v. 49, n. 1, p. 223–239, 2016. Disponível em: periódicos da Unicamp. Acesso em: 18 jul. 2026.
  5. RAPÔSO, Gutemberg. Tino: sociolinguistic English register calibration [software]. 2026. Disponível em: https://tino-deploy.vercel.app. Acesso em: 19 jul. 2026.